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O valor da gestão de ativos

Por: Anderson Oliveira, Diretor de Operações da AES Tietê Energia

Hoje em dia, as empresas, independentemente do perfil e segmento, possuem vários desafios em comum. Dentre eles está a eficiência no planejamento financeiro. Os meios para alcançá-la são os mais variados possíveis. Um deles, pouco falado, é a gestão de ativos físicos.

Pode não parecer comum no mundo corporativo, mas, na prática, é muito mais recorrente do que se imagina. Ela resume-se a boas práticas utilizadas por organizações em seu processo de controle e está diretamente atrelada a todo o ciclo de vida de um ativo, permeando decisões de investimentos e, até mesmo, a concentração de esforços em ativos críticos que possam apresentar desempenho não compatível às expectativas, quando comparados aos demais.

Toda corporação precisa gerir ativos, sejam eles físicos, tais como equipamentos e empreendimentos, humanos, conhecimentos específicos ou híbridos para a manutenção de um processo, ou, até mesmo, para gestão de ativos financeiros. Qualquer empresa que possui diferentes operações trabalha constantemente com ações coordenadas para agregar valor aos seus ativos. Ora na modernização e manutenção de equipamentos, ora na implementação de processos que contribuam para a melhoria da segurança dos trabalhadores, ora na aplicação de recursos financeiros. Dentre as ações, está a total rastreabilidade dos ativos desde seu planejamento para aquisição, passando pela otimização da operação e consequente aumento da disponibilidade, contribuindo para a redução de custos de manutenção e maximização dos resultados operacionais, além de assegurar a segurança do trabalho e conformidade com regulamentações ambientais.

Quando exploramos ainda mais o termo, identificamos como racional o equilíbrio entre performance, custo e risco.

Performance está relacionada à disponibilidade de equipamentos, confiabilidade, necessidade de manutenção e incremento da eficiência. O custo refere-se ao recurso financeiro utilizado na produção com dado equipamento. Por exemplo, determinada operação requer um alto investimento para garantir eficiência ou possui despesas recorrentes excessivas para sua manutenção. Estes custos são avaliados mensalmente e ponderados para eventuais tomadas de decisão na melhoria desta performance. O risco envolve o quanto um ativo pode impactar financeiramente a empresa, seja positiva ou negativamente. Todos esses processos fazem parte do ciclo de vida de um ativo.

A gestão de ativos não é uma tarefa das mais simples. Um bom caminho para as empresas é seguir ou implementar padrões pré-estabelecidos por normas, tais como a PAS 55 ou ISO 55001, com apoio de procedimentos técnicos escritos por profissionais capacitados, com o objetivo de estabelecer uma gestão inteligente, abrangente e padronizada, aperfeiçoando as operações da organização, utilizando o sistema de gestão para gerar valor para a empresa.

Os motivos que fazem uma empresa ter a gestão de ativos como prioridade podem ser os mais variados possíveis. Como, por exemplo, acidentes e paradas forçadas de equipamentos críticos ou importantes. A implementação de um sistema de gestão precisa ser pensada não como um projeto, mas sim com a mentalidade de um grande e importante PDCA, garantindo a melhoria contínua para a organização.

Identificadas as motivações e as primeiras definições, a trajetória para a implementação segue uma ordem clara: definição de critérios e padrões que devem orientar a companhia para qual rumo seguir, análise e diagnóstico rotineiro por meio de revisão de processos, auditoria interna e estabelecimento de planos de ação para as não conformidades encontradas, avaliações de eficácia do sistema pós implementação das ações. Para finalizar, caso a organização opte pela certificação, uma auditoria externa com um organismo certificador acreditado, que também pode ser usada como uma ferramenta de melhoria contínua para atestar que a organização possui as melhores práticas de gestão de ativos do mercado.

O caminho é longo. Mas, tudo isso, contribui significativamente para gerar valor ao negócio por meio da otimização da performance dos vários tipos de ativos da empresa. Neste processo são mapeados riscos, instalados sistemas de monitoramento e acompanhamento, criados fluxos de trabalho visando sua otimização, inclusive com a reestruturação organizacional e mudança da cultura de manutenção.

Com o sistema implementado, há ciclos de evolução. São estabelecidos comitês multidisciplinares para discutir e tomar decisões colegiadas; portanto, mais inteligentes. Os investimentos e custos operacionais são priorizados com base em critérios de risco, custo e desempenho. Os benefícios são inúmeros. Eficiência no planejamento financeiro, valorização da manutenção, otimização na operação de equipamentos e aumento da sua efetividade, gestão de riscos e mudanças, tomada de decisão embasada em dados e fatos, redução de custos e melhoria em segurança.

Hoje, há empresas que aplicam e seguem normas especificadas para o ramo de atividade, mas não se certificam. O alto investimento em recursos humanos e financeiros para o estabelecimento dos processos mandatórios, a fim de receber uma auditoria externa para certificação, pode ser um fator crítico para o negócio. O que torna a decisão de certificar ou não a organização extremamente importante. Outro ponto que pode ser levado em consideração para a não certificação é falta de exigência ou incentivo de órgãos reguladores. O que na minha opinião é uma pena! Se houvesse uma regulação para a certificação, as empresas seriam mais competitivas, os processos seriam padronizados, haveria ganhos de qualidade, contribuindo para eficiência no planejamento financeiro e físico das empresas.

Com o passar dos anos, a estimativa é vermos mais empresas implementando um sistema de gestão de ativos, resultando em inúmeros ganhos para os mais variados setores e a ISO 55001 poderá ajudá-los. Lembrando que a gestão de ativos vai muito além do âmbito de uma certificação. Iniciativas voltadas para a gestão de ativos podem favorecer de forma significativa a administração de bens a fim de oferecer um produto ou serviço mais competitivo ao mercado. O que pode até mesmo beneficiar o consumidor final. Empresas de bens de consumo, com a implantação de um sistema de gestão de ativos, ganham em rentabilidade e padronização de processos. Isso pode proporcionar reinvestimento dentro da companhia, por exemplo, para inovação ou ainda impactar no preço final do produto.

No nosso caso, por exemplo, a gestão de ativos contribui até mesmo para o processo mais crítico da companhia: a gestão dos reservatórios e a segurança das barragens. Inspeções e auditorias recentes de órgãos reguladores comprovaram que não há inconformidades em nossas barragens. Temos total controle dos processos de segurança de barragens, simplesmente porque a área está no escopo do sistema de gestão de ativos. O grau de confiabilidade que a gestão de ativos garante ao negócio, devido a revisão de todos os processos da organização, assegura a mitigação dos riscos, prevê e evita acidentes, reduz custos operacionais e aumenta a disponibilidade dos ativos críticos gerando valor para a empresa e para a sustentabilidade do planeta.