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Energia em Foco chega à sexta edição e apresenta experiências e alternativas em como ser sustentável e competitivo

O que se ouvia desde cedo, nesta terça-feira (19), na antessala do espaço Casa Bossa, no Shopping Cidade Jardim, em São Paulo, eram termos como “renováveis”, “sustentabilidade” “geração distribuída” e muita “energia”.  Os termos estavam na boca dos executivos do setor elétrico que participaram do 6º Energia em Foco e também dos palestrantes convidados para o evento da AES Tietê que reuniu clientes e vários formadores de opinião para refletir, discutir e trocar ideias sobre a urgência e oportunidades de incorporar energia renovável para um futuro mais sustentável.

Após uma breve apresentação de dançarinos performáticos, vestindo roupas cobertas por LED programado com Arduino, representando a inovação elétrica, o presidente da AES Brasil, Julian Nebreda, abriu o evento.

Apresentação do grupo Light Men.

Executivos da AES reforçam importância do Brasil na geração renovável

Julian falou sobre o objetivo de “acelerar o futuro da energia sustentável, com segurança” e de transformar a AES Tietê em um veículo para investir em novas tecnologias de geração, os desafios de realizar uma mudança de portfólio energético e melhorar o gerenciamento do risco hidrológico.

“Oferecer uma solução de energia ao menor preço” e a questão da rápida mudança tecnológica, com a introdução de elementos como inteligência artificial, estiveram entre os pontos destacados por Julian em seu discurso.

Ele falou ainda sobre a importância da empresa se enxergar hoje, no contexto da nova economia, como uma rede, e não como um player isolado, considerando investidores, reguladores e – claro – os clientes. “Sozinhos não fazemos nada”, disse Julian. “Hoje, uma empresa eficiente atua como uma rede.”

Julian fechou seu discurso falando do protagonismo brasileiro na criação dessa empresa-modelo para um setor elétrico baseado em energias renováveis, da cultura do país focada no futuro e apta a realizar rápidas mudanças, além da importância do armazenamento de energia e sua capacidade de transformar toda a infraestrutura do setor elétrico.

 

Julian Nebreda, presidente da AES Brasil

O CEO global da AES, Andrés Gluski, fez uma participação especial em um vídeo. Ele falou sobre a estratégia mais ampla do grupo nos 15 países onde atua e também da sua visão sobre o Brasil.

“Estamos focados em melhorar a vida das pessoas, acelerar um futuro de energia segura e ambientalmente responsável. Nossos colaboradores estão focados em tornar os mercados mais sustentáveis para o futuro”, disse Gluski, que falou sobre a estratégia de diminuir a pegada de carbono em 25% até 2020 e em 50% até 2030. “O Brasil é parte fundamental da estratégia da AES”, disse Gluski, “um dos mercados com maior potencial de renovável”. O CEO lembrou ainda o investimento de 690 MW em matriz solar e eólica no país nos últimos dois anos.

Palestrantes reforçam importância da sustentabilidade no mercado de energia

O holandês Vincent Hoen, diretor de sustentabilidade da Ecofys, consultoria especializada em energias renováveis e parte do grupo Navigant Research, falou em seguida, com uma palestra sobre como integrar sustentabilidade ao DNA de uma empresa.

Ele discursou sobre os desafios que o mercado tem globalmente para diminuir suas emissões de carbono, e mostrou como as grandes potências globais ainda têm dificuldades para atender as metas estabelecidas por convenções internacionais.

Hoen, que tem experiência na implementação de projetos globais, para empresas como Coca-Cola, Nestlé e Mc Donald´s ofereceu às empresas uma estratégia de 1) desenvolver uma visão geral de suas emissões de gases de efeito estufa; 2) definir metas de carbono e 3) explorar formas de alcançar as metas por meio de eficiência energética e o uso de fontes renováveis.

“Empresas que têm estratégia de sustentabilidade estão se saindo melhor no mercado”, disse Hoen, “com média de 18% mais retorno de investimento (ROI) que outras empresas que não têm esse tipo de estratégia. ”

Segundo dados trazidos por ele, nos próximos 5 anos, 2.5 turbinas solares e 30 mil painéis solares serão instalados a cada hora no mundo todo, demonstrando o tamanho do potencial desse mercado.

Henrique Pereira, CEO da Way Carbon, consultoria brasileira com expertise em mudanças climáticas e soluções para economia de baixo carbono, buscou responder à pergunta: “Qual o valor da sustentabilidade para as empresas? ”

“A verdadeira revolução energética está no empoderamento do consumidor”, disse Henrique. “No novo mercado, quem não tiver a energia mais barata e segura, provavelmente está fora do jogo.”

Ele trouxe o conceito de “prosumer”, o consumidor que além do consumo também produz, por meio da auto-geração, principalmente com painéis solares. Henrique destacou ainda outras tendências, como a flexibilidade por meio de um acesso mais amplo ao mercado livre, e a popularização dos certificados RECs no rastreamento dessa energia.

Ele trouxe ainda números relevantes da queda no custo da geração solar – de 72% nos últimos 7 anos – e da eólica – 25% no mesmo período.

“O setor solar contribui com 12% do investimento na cadeia de valor do setor elétrico”, disse Henrique. “Isso é beneficiar outros negócios, agregar valor.”

A palestra incluiu exemplos da própria Way Carbon, que reduziu em 30% os custos com eletricidade em 2017 por meio de investimentos em geração renovável; da MRV Engenharia, que aposta firme em solar em seus empreendimentos; e da Drogaria Araujo, rede mineira de farmácias que já no ano que vem terá 100% do fornecimento de suas 145 lojas vindas da fonte solar fotovoltaica.

Guia de Energias Renováveis é lançado

Após um breve intervalo, Rogério Jorge, da AES Tietê, anunciou o lançamento do guia de energias renováveis, ferramenta que apresenta 5 passos para um consumo renovável. No guia, a empresa responde a algumas perguntas básicas, como opções de redução de custos e quais as soluções renováveis disponíveis, em linguagem simples e acessível, para difundir conhecimento em todo o setor.

Segundo Jorge, o guia tem como objetivos:

Apresentar as fontes de energia renovável; demonstrar os benefícios da energia renovável para uma estratégia sustentável; apontar as soluções renováveis disponíveis; e propor 5 passos para se tornar um consumidor renovável.

“O guia busca conscientizar sobre vantagens do consumo de renováveis, e os desdobramentos positivos, como: proporcionar economia, minimizar o desperdício, reduzir os impactos ambientais, desenvolver a comunidade, universalizar o acesso e incentivar a tecnologia”, disse Jorge.

Painel reúne representantes de grandes empresas e do governo

No encerramento do evento, um painel de discussão contou com as participações de Ítalo Freitas, presidente da AES Tietê, Cristiane Vieira, gerente de sustentabilidade da Nestlé, Leonardo Lima, diretor de sustentabilidade do McDonald’s, e Antonio Celso de Abreu Jr, Subsecretário de Energias Renováveis do Estado de São Paulo. A mediação foi do professor Pedro Lins, da Fundação Dom Cabral.

Cristiane trouxe cases da Nestlé, como o reaproveitamento de borras de café para o uso como biomassa, as reflexões da empresa em torno da perenidade do negócio frente aos desafios energéticos futuros, e o investimento no reaproveitamento de água. “Antes de falar de sustentabilidade”, disse Cristiane, “para ser perene, temos que ver como a gente agrega valor para a sociedade, para os acionistas e stakeholders. Mais que estar de acordo com os requisitos legais, temos que criar valor compartilhado.”

Ítalo falou sobre os desafios enfrentados pela AES Tietê em deixar de ser uma empresa essencialmente hidrelétrica com pouca flexibilidade para entrar em um novo contexto de mundo hiper-conectado onde há urgência de investimentos de curto prazo para se dar conta das rápidas mudanças do mercado.

Respondendo a uma pergunta sobre como pequenos negócios podem entrar no mercado dos renováveis, Ítalo citou o exemplo das fazendas solares compartilhadas, como oportunidade para esse tipo de cliente, produto oferecido pela AES Tietê

Leonardo Lima, do McDonald’s, chamou à atenção a necessidade de uma educação básica em torno do tema – e o esgotamento do termo “sustentabilidade”, que deve ser desmistificado como sinônimo de custo sem retorno.

Representando o Estado, o subsecretário Antonio Celso destacou o novo Marco Regulatório como um passo de flexibilização no comércio de energia, e falou também sobre a necessidade que o Estado tem de diversificar sua matriz energética, atualmente baseada em hidráulica e biomassa, ambas com representatividade de 62% sobre a matriz total.

Antonio falou ainda sobre dois possíveis caminhos para esse processo, por meio de 1) grandes investimentos centralizados, com destaque para soluções solares ou 2) geração distribuída, também com apoio na solar fotovoltaica e na oferta de biogás, por conta do aproveitamento de resíduos da biomassa no estado de São Paulo

No painel, falou-se ainda de revolução 4.0, automação versus racionalização de consumo energético e rompimento de modelos mentais voltados a gastos excessivos.

 

Ítalo encerrou o Energia em Foco destacando a importância do evento, como uma iniciativa para mostrar tendências e movimentos que estão acontecendo e como isso colabora com as decisões e negócios de nossos clientes,

Ele falou sobre as mudanças no modelo de trabalhar da empresa nos últimos anos, buscando atender às necessidades do cliente com um amplo portfólio de produtos capazes de reduzir seus custos.

“A gente está aqui para ajudar vocês a serem competitivos”, encerrou Ítalo.