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Dia Mundial do Meio Ambiente: As atitudes de hoje constroem o nosso futuro

Uma data tão importante quanto o Dia Mundial do Meio Ambiente, comemorado em cinco de junho, nos alerta e convida para a reflexão e o amadurecimento da discussão sobre como estamos tratando nossos recursos naturais e qual legado deixaremos para as próximas gerações. O cenário que enfrentamos nesta pandemia da COVID-19 é desafiador e só reforça a importância de se estabelecer agora novos parâmetros de saúde, segurança e meio ambiente que gerem resultados para toda a sociedade.

O Dia Mundial do Meio Ambiente foi instituído pela Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), em 1972. Naquela época, o que se tinha em mente era dar visibilidade às questões ambientais, que ainda não tinham atingido proporções catastróficas. Hoje, temos a clareza de que falar da preservação do meio ambiente é falar de como as atitudes de hoje impactam positivamente o futuro.

É necessário que o aumento da temperatura da Terra não ultrapasse o 1.5ºC em relação ao período pré-industrial. Esse é o limite mais seguro para evitarmos as consequências devastadoras dos impactos climáticos e, para tanto, se faz necessário envolvimento de empresas, governos e sociedade numa ação conjunta. Iniciativas de reflorestamento para captura de carbono são soluções em conjunto com iniciativas de descarbonização do setor energético, bem como os avanços no desenvolvimento dos veículos elétricos, por exemplo, que emitem menos gases de efeito estufa (GEE).

Ao contrário da matriz energética mundial, temos no Brasil a presença com grande potencial de crescimento das fontes provenientes de energias renováveis. O uso do hidrogênio como fonte de energia também vem sendo muito discutido e de grande importância para a sustentabilidade no sistema energético brasileiro e mundial.

A tecnologia é uma grande aliada no gerenciamento de riscos. O uso de Big Data, por exemplo, permite melhorar o gerenciamento das vulnerabilidades e das ameaças ao longo de todo o processo, pois favorece a identificação de alternativas que minimizem os riscos e traça diferentes cenários.

Para projetar ações que melhorem o futuro da sociedade é fundamental analisar o comportamento e as atitudes que estão sendo tomadas agora.  Como forma de contribuir com essas análises, separei três pontos que considero cruciais para que possamos reverter esse quadro crítico que enfrentamos hoje, afetado pelos impactos da pandemia de COVID-19, principalmente quando aprofundamos o diálogo sobre o avanço do aquecimento global.

1) Energia e sustentabilidade

Estamos atravessando uma transição para um modelo energético verde, limpo e, com isso, de baixo emissões de carbono, como a energia eólica e a solar, permite pensar no tema da segurança climática com mais propriedade.

Estudos da Bloomberg New Energy Finance (BNEF) apontam que a demanda por energia deve aumentar 62%, resultando em um aumento de quase o triplo da capacidade de geração global até 2050. Uma das fontes que impulsionam esse crescimento é a energia renovável, como a solar e a eólica. Elas devem crescer de 7%, da geração de hoje, para 48% em 2050, segundo o relatório  New Energy Outlook 2019 (NEO).

Esse crescimento é pautado principalmente pelo avanço tecnológico e pelo compromisso com a sustentabilidade. Segundo o relatório NEO, pelo menos até 2030, o setor de energia elétrica atuará para impedir que a temperatura global aumente em mais de 2ºC.

Olhando para um futuro mais a curto prazo, um dado que chama bastante a atenção é de que, até 2024, a capacidade de geração de energias renováveis no mundo irá expandir em 50%, segundo a Agência Internacional de Energia (IEA). O carro-chefe dessa expansão serão os painéis solares, com 60% de toda a capacidade de geração esperada para o período.

A energia eólica no Brasil também tem números expressivos. Superou a marca de 14 GW de capacidade instalada, potência superior à da maior hidrelétrica da América Latina, a binacional Itaipu, de 14.000 MW. De acordo com a Associação Brasileira de Energia Eólica (ABEEólica), a perspectiva é de que até o final de 2024 sejam, pelo menos, 19,04 GW de capacidade instalada.

Complexo Eólico Alto Sertão II, da AES Tietê, está localizado no Estado da Bahia e possui capacidade instalada total de 386,1 MW e energia contratada por 20 anos. Um dos maiores parques eólicos do país que contribui para o aumento de produção de energia limpa e redução das emissões de gases poluentes na atmosfera.

Nós temos uma estratégia de modelo de negócio que foca o crescimento das energias renováveis. Modelo que visa aumentar os impactos positivos das nossas operações no meio ambiente e nas comunidades onde atuamos.

2) Alianças e compromissos

Temos clareza do respaldo que grandes organizações trazem para esse nosso compromisso com o meio ambiente e com a redução do aquecimento global. Sabemos também que são necessárias ações integradas entre governo e iniciativa privada para que resultados possam aparecer.

Um dado que reforça como nossas atitudes de hoje estão alinhadas com o futuro da energia é o número cada vez maior de empresas que tem buscado adquirir os Certificados de Energia Renovável, os RECs, como forma de reforçar seu comprometimento com políticas de sustentabilidade.

Em 2019, o Brasil emitiu pouco mais de 2 milhões desses certificados, quase seis vezes mais que o verificado em 2018. A forte alta dessa procura se deve principalmente pelos certificados estarem associados ao cumprimento de metas de sustentabilidade ou como evidências de resultados socioambientais.

Nós demos o nosso passo e integramos medidas de mudança climática à nossa estratégia e ao planejamento dos nossos negócios. Esse compromisso está alinhado diretamente aos ODS (Objetivo de Desenvolvimento Sustentável) 7 e 13, estabelecidos pela ONU (Organização das Nações Unidas) em 2015.

Outro passo importante foi a adesão, junto a mais de 150 empresas, a uma declaração pública que reafirma nossos compromissos baseados na ciência para alcançar uma economia verdadeiramente sustentável. Queremos contribuir para que o aumento da temperatura global não passe o 1.5ºC e incentivar os governos a incluírem esse compromisso em seus esforços de recuperação econômica.

Essa união é promovida pela Science Based Targets (SBTi), por meio da campanha Business Ambition for 1,5 °C, pelo Pacto Global da ONU e coalizão We Mean Business. Definiremos metas robustas de reduções de emissões fundamentadas em critérios científicos.

3) Economia e crescimento

Existe um sentimento de superação da economia brasileira no período pós-pandemia. Nenhuma crise se instala isoladamente e desaparece sem a união de esforços. O cenário que estávamos esperando para 2020 era de crescimento de 4,2% no consumo de energia, o que representaria a maior alta percentual desde 2013, segundo a Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE).

O Brasil já vinha numa crescente nesse quesito. No ano passado, o consumo de energia fechou com alta de 2,1% se comparado a 2018, segundo a CCEE; maior avanço desde 2014. Para traçar qualquer projeção do setor elétrico, em meio à maior crise de saúde pública,  é preciso levar em consideração as mais recentes estimativas econômicas, incluindo principalmente as expectativas com o PIB.

O fato é que a para sairmos de uma crise ramificada e potente e avançarmos para uma retomada econômica irá demandar políticas que aumentem a resistência e a resiliência dos países e das empresas. Passa pelo coletivo e invade o campo individual. Todos são necessários.

Não existem caminhos simples para uma crise tão complexa quanto esta que estamos atravessando nesta pandemia. Esses pontos se desdobram para ações efetivas e que estamos tomando por aqui. É a responsabilidade que temos com aquilo que acreditamos ser os bens mais valiosos: o meio ambiente e as pessoas. É dessa forma, colaborativa, inovadora e eficiente que estamos trabalhando hoje pelo futuro da energia.

 

ÍTALO FREITAS